|
Como você teve a ideia de começar o
"Clube de Leitura Letras Brasileiras"?
No tempo do isolamento, vi que os
alunos não estavam dando conta, tinham dificuldade de acompanhar o conteúdo e
não estavam mais querendo fazer a lição. O problema é, principalmente,
interpretação de texto. A leitura e a troca de ideias podem ajudar muito
nesse e em muitos outros aspectos.
De que forma eles vão ler os livros?
Ah! Isso é uma coisa importante.
Todos os livros que escolhermos são disponíveis na biblioteca “Arca de Noé”,
pasta compartilhada. Usamos somente formato PDF para não excluir ninguém.
Só alunos da sua escola podem participar?
Não! Qualquer pessoa, a partir de 15 anos, pode participar. E isso eu acho
muito legal. Queremos democratizar a leitura. O livro é um alimento!
Como vão ser os encontros?
Sempre virtuais, online, através do
Meet (Google Meet). No começo eu pedi que as pessoas se inscrevessem, mas
depois achei que isso poderia inibir as pessoas. Daí abri para quem quiser
entrar. Mesmo assim, muita gente se inscreveu.
Você já fez algo parecido antes?
Sim, mas não virtualmente! E por isso
mesmo sei que funciona. Na outra escola em que trabalhei, também pública,
criamos a primeira academia estudantil de letras do estado (a da cidade já
existia).
Conte um pouco mais sobre esta academia.
Ela se chamava “Academia de Letras
Ruth Guimarães”. Foi a diretora da escola que me pediu para formá-la
antes de uma feira literária que iria acontecer lá.
E os alunos gostaram?
Sim! Foi ótimo! Hoje acompanho o
sucesso de todos que participaram. Eles viraram protagonistas, se destacam
onde estão. É impressionante ver a diferença que faz a leitura na formação
das pessoas.
Então agora você resolveu fazer um clube de leitura?
Isso. Eu quero formar alunos
leitores, democratizar a leitura. Então fui buscar parceiros pra realizar
este projeto. Porque um sonho, sozinho, é só um sonho. Juntando outras
pessoas, ele passa a ser real.
Quem você chamou para ajudá-la? Em primeiro lugar, pedi ajuda ao
colega que entende de tecnologia, o professor de Matemática José Luis
Castilho Perea. Daí começamos a colocar o projeto em prática.
E quem mais?
Também pedi orientação a um
especialista em formação de clubes de leitura, Antonio Clementin. Queria uma
coisa profissional mesmo. Ele é muito bom e aprendi bastante com suas
aulas.
E como vocês fizeram para divulgar o clube?
Ah! Contamos com nosso divulgador
especial: meu aluno Vinícius Araújo de Moura, de 17 anos. Ele
produziu vídeos, banners e chamou as pessoas. Como eu disse, é uma equipe de
gente envolvida pra transformar o sonho em algo real.
(Leia nossa entrevista com o Vinícius)
Quando foi o primeiro encontro do clube?
Nosso primeiro encontro foi no dia 15
de julho, na plataforma Google Meet, onde cabem 100 pessoas. Tivemos um
público bem grande. Os alunos estão empolgados em participar disso. Fiquei
muito contente.
Quantas vezes por mês o clube se encontra? Uma vez por mês. E em cada uma iremos
conversar sobre um livro diferente.
Qual foi o primeiro livro escolhido?
O livro “Quarto de Despejo”, de
Carolina Maria de Jesus.
Por que esse livro? Porque ele é escrito em forma de
diário, de fácil acesso para o novo leitor. E fala de um tema presente na
vida dos alunos: preconceito racial, social e cultural. Além disso, eu tive
contato com a filha da autora, que aceitou o meu convite para participar de
uma live com o clube, no dia 19 de agosto.
E você tem outros planos além do clube?
O passo dois é uma ideia que eu
tenho: “Promotores da Escrita”. Eu acredito que, quando os alunos percebem o
poder da leitura, também sentem vontade de escrever, expressar e registrar
suas opiniões, suas histórias. Também gostaria de ver outros clubes de
leitura surgindo em outras escolas. O projeto se espalhando por toda parte.
|
Nenhum comentário:
Postar um comentário